Henrique Arruda fala sobre seus 40 anos em seguros

Henrique Arruda fala sobre seus 40 anos em seguros

09 Ago, 2022

No dia 02/08/22, o responsável técnico da Marconcini Seguros e um dos seus gestores, Henrique Arruda (HA) completou 40 anos de atividades securitárias e deu a seguinte entrevista para a célula de comunicação da Marconcini Seguros (MS):

 

MS: Quais suas experiências profissionais antes de entrar no mercado de seguros?

 

HA: Minha primeira experiência foi aos 15 anos, ao auxiliar meu pai com cálculos e controles de consumo de combustível dos ônibus da empresa da família. Adiante, já na faculdade, trabalhei por três anos em um escritório de projetos estruturais passando de estagiário a desenhista e, por último, assistente de projetista/calculista. Paralelamente e por períodos curtos, auxiliei meu pai em outros empreendimentos, trabalhando como desenhista de móveis e atendente/caixa em uma das lanchonetes da rodoviária de Florianópolis.

 

MS: E como você ingressou em seguros?

 

HA: Por acaso. Em 1982, eu já estava formado em engenharia, era autônomo, fazia projetos estruturais, avaliações patrimoniais para uma instituição financeira e me preparava para administrar obras. Certo dia, encontrei um amigo que contou ter sido admitido como gerente técnico de uma seguradora e que iria fazer treinamento no Rio e São Paulo durante 5 meses. Pouco adiante, vi no jornal um anúncio de seguradora contratando engenheiro. Participei do processo seletivo e fui selecionado. Seguiria o mesmo caminho do meu amigo, mas para ser treinado como regulador de sinistros da Atlântica Cia Nacional de Seguros (Grupo Atlântica-Boavista) que depois se tornaria Bradesco Seguros.

 

MS: Onde atuou nesse período?

 

HA: Éramos funcionários da Diretoria de Sinistros (Matriz) e lotados em sucursais (tive base em Blumenau, Joinville e Florianópolis) mas podendo vir a atuar em qualquer lugar do Brasil. Assim, por muitas vezes fui deslocado para São Paulo e também cobri férias de colegas em Goiânia e Recife além de, ocasionalmente, trabalhar em outras regiões do País. Quando já estava em Florianópolis, passei para a folha da sucursal e assumi a coordenação do que chamávamos Núcleo de Apoio Técnico Operacional, setor que envolvia três engenheiros responsáveis pela regulação de sinistros e inspeções de riscos, mais um grupo de funcionários que respondia pelas áreas de emissão e cosseguro. Posteriormente acumulei funções atendendo Contas Especiais (clientes corporativos de grande porte) e Contas Públicas (seguros das estatais de SC).

 

MS: Até quando permaneceu trabalhando em seguradoras?

 

HA: Em 1990 deixei a Bradesco Seguros para assumir a gerência da Seguradora Roma em SC, implantar e desenvolver suas operações no estado. Era uma companhia nova, fruto de associação entre o Grupo Roberto Marinho, Vera Cruz Seguradora (que eu também gerenciava na região de Florianópolis e Sul) e Golden Cross (operadora de planos de saúde). Posteriormente a Vera Cruz e a Roma viriam a compor o Grupo Mapfre Seguros. Permaneci até 1998 quando aceitei convite para, a partir de Blumenau, estruturar a Trevo Seguradora (Grupo Bandeirantes) em SC. Deixei essa minha última seguradora em 2000, alguns meses após sua aquisição pelo Grupo Unibanco.

 

MS: O que aconteceu a partir de então?

 

HA: Nessa ocasião eu era um dos Vice Presidentes do Sindicato das Seguradoras em SC e membro do Conselho de Representantes do Seguro DPVAT. Por conta disso, mensalmente eu ia às reuniões do Conselho, que aconteciam no Edifício das Seguradoras, no centro do Rio, onde também ficava o Sindicato das Seguradoras do RJ o qual eu visitava regularmente afim de buscar projetos e ideias que pudessem ser implantados em SC. Por conta disso, recebi convite do presidente do nosso sindicato para lhe fazer assessoria e desenvolver tais ações. Criei então a Ampla Consultoria e Treinamento, tendo o Sindicato como cliente fixo e algumas empresas do mercado (corretoras e reguladoras) como clientes eventuais.

 

MS: O que era esse Conselho?

 

HA: O seguro obrigatório de veículos era resultado de um convênio entre diversas companhias sob administração da Federação Nacional das Seguradoras. A cada dois anos, em assembleia de acionistas, as participantes do pool elegiam dez conselheiros que acompanhavam as estratégias e a gestão. Indicado pelo Sindicato das Seguradoras de SC, fui eleito em dois biênios, sendo um período de muito aprendizado uma vez que por quatro anos pude estar num espaço formado por um grupo seleto de executivos da alta direção de seguradoras.

 

MS: O que você destacaria dos tempos de Ampla Consultoria e Treinamento?

 

HA: No âmbito do Sindicato, cuja prestação de serviços duraria 8 anos, houve uma reformulação completa dos objetivos da instituição que, criada em 1924 (transferida para Blumenau em 1951) tinha nas suas comissões técnicas as principais atividades. Com a reformulação e abertura do mercado ocorrida em 1992 tais comissões foram se extinguindo e se faziam necessárias novas atividades institucionais. Elas foram estabelecidas a partir da criação de grupos de trabalho que envolveram os gestores das seguradoras, estendendo-se às principais cidades do estado e ampliando as atividades da instituição. Foram muitos projetos, sendo que dois deles (Trânsito Amigo e Cultura do Seguro) viriam a receber premiação da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP). Criamos uma Comissão de Ética que funcionava em conjunto com o Sindicato dos Corretores de Seguros (SINCOR/SC) e que viria servir de modelo para outros estados. Também destacaria a realização da 1ª CONSEGURO/SC, uma conferência técnica de 3 dias sobre economia e seguros. Com relação a outros clientes, via consultoria, tive oportunidade de auxiliar algumas corretoras de seguros no planejamento e na gestão dos seus negócios.

 

MS: O que aconteceu depois desse ciclo?

 

HA: Mudei para Florianópolis e assumi a gerência comercial de uma empresa de emergências médicas (Help) atividade muito semelhante à algumas modalidades de seguro. Foi uma experiência muito interessante considerando que contávamos com uma equipe de vendedores externos, representantes, clientes corporativos e uma estrutura de telemarketing. Permaneci nessa empresa cerca de um ano e depois retomei as atividades de consultoria e treinamentos para atender três clientes fixos, a Belli Corretora em Brusque, a Ala Assessoria em Seguros em Blumenau e a Marconcini Corretora em Timbó.

 

MS: E o que o levou a ficar em Timbó e ingressar na Marconcini?

 

HA: O Sérgio Marconcini era um amigo de longa data, para quem eu já tinha realizado alguns trabalhos eventuais e que, assim como as sócias Danila e Juvita, tinha sido meu aluno no curso de pós graduação. Iniciamos a consultoria em setembro de 2009 revisando o planejamento estratégico, avançamos para a gestão e foram surgindo demandas específicas: técnicas, operacionais, comerciais e relacionadas com sinistros. Nosso contrato foi progredindo de um para dois, três e quatro dias por semana, até que, em março de 2013, ingressei na corretora e passei a residir em Timbó. Nesse período de 3,5 anos nossa relação avançou de consultoria para assessoria e daí para uma verdadeira parceria. Desde então, minha afinidade com a filosofia do Sérgio, com a empresa, com a cidade e sua gente só aumentaria. Apesar do Sérgio ter passado para outro plano em abril de 2015, seu espírito, princípios e valores permanecem vivos entre nós. A cada dia tenho mais certeza de que acertei ao aceitar o convite e agradeço a Deus pela oportunidade que tive.

 

MS: Por que lhe chamam de “professor” na corretora?

 

HA: Acho que isso começou porque um rapaz que trabalhava conosco tinha o mesmo nome, o que dava certa confusão nos telefonemas, etc. O fato de ter dado aula para vários colegas acabou nessa designação, mas o aprendizado é sempre uma via de mão dupla e aqui tenho aprendido muito e todos os dias.

 

MS: Certo, mas poderia então falar um pouco sobre suas atividades como professor?

 

HA: A primeira experiência veio no início da faculdade quando, por um curto período, fui orientador de alunos de um cursinho pré-vestibular. Em seguros, como tive formação técnica na Atlântica-Boavista, passei a ser chamado para ministrar treinamentos nas seguradoras em que trabalhei. Depois vieram convites para dar aulas em diversos cursos da Escola Nacional de Seguros (ENS) o que fiz durante muitos anos. Em 1996, surgiu a oportunidade de trazer uma representação da Escola para SC. Na época, já existiam unidades no PR e no RS e eu conhecia a superintendente de ensino, pois ela havia sido diretora de treinamento da Atlântica-Boavista. Foi um período muito intenso e enriquecedor, em que pudemos contribuir para a formação de corretores de seguros, reguladores de sinistros, comissários de avarias e diversos outros profissionais desse mercado. Ainda com a ENS e em parceria com a UNIASSELVI, entre 2002 e 2008, coordenei o curso de pós graduação em Gestão em Seguros no qual também ministrava a disciplina Ambiente de Negócios. Nesse período, formamos 8 turmas nas cidades de Blumenau, Florianópolis, Criciúma e Xaxim/Chapecó. Em 2007, a convite da ENS, veio a oportunidade de realizar em quase todas as capitais, e outras cidades brasileiras, uma palestra relacionando Ética em Seguros e Produtividade tema que sempre apreciei. Finalmente, destacaria também capacitações feitas para equipes da Sasse Seguros (atual Caixa Seguros) e, mais adiante, de equipes do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) no PR/SC/RS para ambas as instituições, além do SICOOB/SC. O Sr. Jaime Garfinkel, sócio controlador da Porto Seguro também me honrou com convites para, em duas ocasiões, realizar a palestra sobre ética na matriz do Grupo.

 

MS: Mas suas atividades acadêmicas foram além dos seguros, correto?

 

HA: Entre 1989 e 2015 fui professor convidado do curso de pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho da UFSC, ministrando disciplina relacionada com seguros e prevenção contra incêndio. Através de convênios, o curso se estendeu para outras instituições de ensino superior de SC e também chegamos a formar uma turma em São Luís/MA. Nessa mesma área, fui professor-tutor do curso superior de tecnologia em Segurança do Trabalho da UNIASSELVI – Polo Florianópolis entre 2010 e 2014. Em 2006, ministrei a disciplina Tópicos Especiais (Negociação, Tomada de Decisões e Plano de Negócios) na UNIASSELVI – Indaial.

 

MS: Alguma publicação?

 

HA: A ENS publicou um livro com minha dissertação de mestrado onde tratei da possibilidade de contratação coletiva de seguros patrimoniais por empresas que atuam de forma cooperada. Nesse período de mestrado a Revista Brasileira de Risco e Seguro publicou um artigo tratando da ética em seguros. Na mesma época, sob o título Tendências, a ENS editou duas coletâneas de artigos dos alunos da pós graduação em seguros e me honrou convidando a fazer a introdução da obra. Por último, a convite a UNIASSELVI, fiz uma apostila sobre noções de atuária para o curso de ciências contábeis.

 

MS: Quais os planos e perspectivas em relação à Marconcini Seguros?

 

HA: Pessoalmente, gostaria de poder ser útil e contribuir com a empresa por mais 40 anos. Tenho enorme apreço pela empresa e seu entorno. Iremos até onde Deus nos permitir e aqui desejo estar até o final da carreira. Em 2019, construímos com a equipe um conjunto de dez pilares/vetores que representam os conceitos que darão sustentação ao negócio e a indicação de caminhos a serem seguidos na década que se iniciou em 2020. Dentre eles, destacaria a Autodisciplina, o Autodesenvolvimento e a Diversidade nos Negócios. Somos uma corretora multiprodutos, atuando em todas as modalidades de seguros (inclusive saúde) consórcios, previdência privada e, até mesmo, em investimentos financeiros através de fundos de seguradoras. Isso exige um time qualificado e especialista nas diversas áreas, de modo que possamos vencer os desafios que se apresentam.

 

MS: Que desafios destacaria?

 

HA: Acredito que os desafios tecnológicos e ajustes no modelo de gestão e distribuição sejam os principais. A inteligência artificial estará cada vez mais presente e precisamos tê-la a nosso favor e não o contrário. A empresa tem no relacionamento com os clientes o atributo que considero mais importante. Isso está no seu DNA pois acredito que era a característica mais marcante do fundador, portanto precisa não só ser preservado, mas alimentado diariamente. Teremos que nos adaptar com o uso de novas ferramentas e um novo jeito de fazer as coisas. Mas, conhecer profundamente as necessidades dos clientes, sejam elas pessoais ou corporativas, continuará sendo fundamental para que possamos lhes entregar as melhores soluções, as melhores relações custo/benefício.

 

MS: E como isso se dá na prática?

 

HA: Primeiro temos que refletir e fazer as lições de casa. Paralelamente, no final de 2020, por meio de acordo técnico, operacional e comercial, ingressamos na Rede GC do Brasil e, a partir de 2021 começamos a implantar novas ferramentas e modelo de gestão. A GC é formada por cerca de 110 corretoras de seguros de médio porte que estão distribuídas por todo o País. Juntos deveremos fechar 2022 com vendas da ordem de R$ 1,4 bilhões e aproximadamente 400 mil clientes. Através da troca de experiências dentro desse grupo e a adoção de uma metodologia desenvolvida para modernizar e impulsionar as corretoras estamos nos capacitando para a contínua e necessária modernização do segmento.

Partindo da premissa de que “juntos somos mais fortes”, passamos a contar com suporte de um time de especialistas nas mais diversas áreas, ampliamos nossa capacidade de negociação com as seguradoras, estamos usando centros de serviços compartilhados que nos dão maior eficácia na operação, reduzindo custos, realizando treinamentos, dentre outras possiblidades de melhorias. E isso tudo, sem perder a identidade e a autonomia local.